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  • muriloscorisa

Microinversores - são tudo isso mesmo?

O inversor on-grid é o componente do sistema fotovoltaico responsável, dentre outras funções, pela transformação da corrente contínua gerada nos módulos em corrente alternada, dentro dos parâmetros da rede da distribuidora. É por meio dele que o paralelismo com a rede do imóvel é possível.

Presentes há alguns anos no mercado nacional como uma alternativa aos tradicionais inversores de string, microinversores já não são mais uma grande novidade. Desde que surgiram por aqui, sempre foram tidos como uma opção superior, porém mais cara. Esse texto busca apresentar os principais argumentos dessa balança de custo X benefício dessa tecnologia.

Primeiro, os inversores de string:


Inversor de string: são necessários dois stringbox (corrente alternada e contínua)

É quase instintivo em um projetista fotovoltaico a busca por locais de instalação dos módulos livres de sombreamentos parciais, orientações favoráveis e que permitam a configuração adequada dos strings do sistema fotovoltaico. Tais cuidados se devem ao fato de que esses inversores, tradicionalmente tem somente um ou dois canais MPPT - sigla gringa para rastreador do ponto de máxima potência. Sem querer aprofundar na parte técnica: nesse tipo de tecnologia os módulos são conectados entre si, em série, formando o que chamamos de string. Normalmente para sistemas de menor potência, cada string é ligado em um MPPT do inversor (em sistemas maiores podemos ter 4 MPPTs por inversor e vários strings combinados em paralelo em um mesmo MPPT, por exemplo). De maneira simplificada, para um bom desempenho, todos os módulos conectados em um mesmo MPPT devem ter a mesma condição de insolação instantânea (ou mesmo fluxo luminoso). Isso implica que os módulos devem ter a mesma orientação (inclinação e direção), e nenhum deles pode estar sombreado, mesmo que parcialmente. Do contrário, o módulo que apresentar menor insolação tenderá a limitar o desempenho dos outros módulos do mesmo string. Pode-se dizer que essa sensibilidade ao sombreamento é o calcanhar de aquiles da tecnologia de inversores de string. Outra característica dos inversores de string, é o fato de que os mesmos operam tipicamente com tensões na faixa dos 600V em corrente contínua. Alguns chegam a suportar strings com incríveis 1500Vcc! Impressionante, mas atenção redobrada se faz necessária, além de cabos, seccionadoras e conectores adequados para a faixa de tensão. Já a garantia desses inversores gira entre 5 e 12 anos (pode-se dizer que a maioria oferece garantias entre 5 e 6 anos). A principal vantagem dos inversores de string se deve a um fator pouco técnico: o custo! Via de regra os sistemas com inversores de string são bem mais baratos do que um equivalente com microinversores. E se tratando de uma tecnologia de alto valor agregado, uma diferença de 15% no preço final pode corresponder a alguns milhares de reais.


Será que o microinversor é tão bom assim para fazer o cliente final desembolsar essa diferença?



Sem mais delongas, os microinversores:


Microinversores fixados diretamente na estrutura

Compactos, microinversores tem uma grande vantagem estética, pois ficam localizados sob os módulos, reduzindo consideravelmente a quantidade de dutos e cabeamento correndo pelo imóvel do cliente. Trabalham com tensão em corrente contínua reduzida, sendo toda a soma de potência feita em corrente alternada, utilizando cabeamentos e disjuntores muito mais simples e acessíveis.

O monitoramento de sistemas com microinversores ainda permite observar o desempenho de cada módulo individualmente, o que também facilita por exemplo uma ação de pós-venda. Além disso os principais importadores oferecem garantias de 15 anos! Mas a principal vantagem dos microinversores (aos olhos do autor) é o fato de que os mesmos operam com um canal de MPPT exclusivo para cada módulo. Ou seja, há uma flexibilidade muito grande de instalação, mesmo em inúmeras orientações diferentes, em quaisquer condições não uniformes de insolação. Só para ilustrar, um sistema de 20 módulos tem dez vezes mais MPPT utilizando-se de microinversores do que com um inversor de string (normalmente 2 MPPT). São 20 rastreadores operando individualmente, "espremendo" o máximo de potência dos módulos! São muitos benefícios! Será que existe esperança para os inversores de string?

Posso dizer que eu pessoalmente advoguei por muito tempo em favor dos microinversores. Mesmo frente a um custo um pouco maior, quem não o faria frente a tantos benefícios técnicos envolvidos? No entanto, em nossa experiência, existe uma ótica que, antes de todos os atributos apresentados, deve ser coerente: a geração de energia. Acredite, caro leitor, todos desejam salvar o mundo das emissões de CO2 com seus sistemas fotovoltaicos. Mas arrisco dizer que, senão todos, 99% das pessoas buscam mesmo é economizar dinheiro, plata, money, com a conta de energia (surpreso?). E nessa equação a percepção de custo benefício acaba se concentrando na seguinte questão: como economizar o máximo na conta de energia ao menor custo possível?

Os microinversores são uma tecnologia fantástica, mas respondem mal à essa pergunta, pois a maioria de suas (custosas) vantagens são acessórias à geração em si, que é principal objetivo dos proprietários de sistemas fotovoltaicos. Mas isso desqualifica totalmente os microinversores? De forma alguma! Microinversores são muitas vezes a unica solução técnica para condições adversas de instalação, onde um inversor de string teria um desempenho insatisfatório.


Veja caro leitor, a percepção de custo/benefício é extremamente subjetiva, pois pode se basear em experiências passadas de cada um. Há aqueles que julgam que o preço mais salgado vale a pena pelo pacote de benefícios. E sempre vai haver aqueles que não. Por aqui costumamos dizer que não há tecnologia melhor ou pior. Mas sempre há uma mais adequada! Até breve!

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